quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Animação Missionária em Portugal

Missionários são peregrinos do Amor. Buscamos o rosto de Cristo nos pobres, em culturas diferentes, nas fronteiras da Igreja e da humanidade. Recolhemos experiências e vivências riquíssimas e indizíveis. Ao retornar à Igreja em que nascemos defrontamo-nos com um problema: como partilhar essa riqueza com a Igreja que nos viu nascer e nos apoia quando estamos longe? Esse é um problema nosso.


Por outro lado, nós sabemos que aos nossos amigos não basta apoiar o missionário: querem ser missionários, dentro das suas possibilidades e nas condições em que a vida os colocou. Têm direito e obrigação de sê-lo. A Igreja é missionária por natureza e cada cristão, cada padre, cada religiosa e cada bispo deve manifestar na sua vida essa qualidade da Igreja. Todos os filhos de Deus pelo baptismo são chamados a ser a luz das nações. Daí nasce para o missionário outra questão: Como apresentar o meu testemunho de maneira a ajudar o meu amigo a enriquecer a sua vivência cristã com a dimensão missionária? Noutras palavras, como posso ajudar esta Igreja a ser o que é: missionária?


Este não é problema só nosso. Compete aos responsáveis desta Igreja ajudar os cristãos a crescer “até às dimensões de Cristo”, viver em comunhão com toda a família de Deus e participar do anúncio do Evangelho “até aos confins da terra”. Nós missionários podemos colaborar com eles, mas nunca podemos substituí-los.


Cada instituto missionário tenta responder a esta problemática dedicando alguns dos seus membros à Animação Missionária. E, porque a tarefa é grande e nada fácil, os institutos missionários associaram-se no IMAG (Institutos Missionários ad Gentes), Animag (Animadores dos IMAG), Missão Press (imprensa missionária), AEFJN (Rede Fé e Justiça África Europa). Parece muita sigla, mas é simples: mãos que se unem para abraçar esta Igreja e o mundo, actuar em conjunto para os transformar. Por outro lado, a Igreja de Portugal tem uma Comissão Episcopal de Missões e as OMP (Obras Missionárias Pontifícias) e uma FEC (Fundação de Evangelização e Culturas). Este é o feixe de varas que tenta mexer nas cinzas para reacender mais algumas brasas e tornar os cristãos mais evangelizadores.


Como é que estamos a fazer isso?


O normal das nossas vidas é andar de mochila às costas, de paróquia em paróquia, de escola em escola, reunindo grupos, inquietando consciências adormecidas. Trabalho de formiguinha que mal se vê. Há semanas missionárias que juntam uma dúzia de formigas para remexer todo um concelho (quase todas as dioceses já as conhecem). Há a imprensa missionária que actua em conjunto sobre temas que chegam mais de uma centena de milhares de famílias. Há questões de justiça mundial que levam muitos institutos religiosos a pressionar os governos e as organizações mundiais que devem favorecer os povos mais pobres. E há um trabalho de acolhimento e formação de jovens que buscam a aventura de partir, descobrir a Igreja e os povos de outros continentes. Voltam mais adultos e estão a mudar o rosto da Missão: mais jovem, tecnicamente competente, mais feminina e mais colorida.


De vez em quando há iniciativas mais ousadas: Em 1998 promovemos um “Ano Missionário”. O resultado mais permanente foi o “Outubro Missionário” com um Guião (já vai em 12 edições) que muitas paróquias e dioceses adoptam para dar vida ao mês do Dia Mundial das Missões (18 de Outubro, este ano). Em 2004 houve um simpósio sobre a missionação, cujas actas foram publicadas pelas OMP no livro: Diálogo, Testemunho me Profecia. Preparou o caminho para, em 2008, realizarmos, em Fátima, um Congresso Missionário como lema: Portugal, vive a Missão, rasga horizontes (Actas também publicadas pelas OMP). Além da dimensão teórica, foi uma grande partilha de experiências e uma festa em que participaram perto de 1.000 pessoas. O fruto que mais esperamos é um documento do episcopado português sobre a evangelização. Confiamos que será o GPS que nos leve à formação de uma rede maior de evangelizadores para este país e até aos “confins”.


Nesta semana, estivemos de novo em jornadas missionárias, menos vistosas do que congresso (450 pessoas), mas que servem para reacender o fogo, promover a união dos companheiros dispersos, e tomar o pulso à caminhada conjunta. O nosso patrono foi Paulo e a sua Paixão pela Missão. O novo que está a surgir é: a Missão 2010 e congresso missionário do Porto; é a criação de um Observatório da Missão; é a participação de um monte de jovens de vários países que estão a formar-se em Portugal; e é a formulação de uma série de perguntas sobre o laicado missionário, que só terão resposta no futuro, mas saber formulá-las já abrir caminhos.


O animador sente-se, às vezes, o desejado das nações para pessoas que anseiam ver, em carne e osso, um exemplar dessa espécie rara por quem rezam todos os dias. Outras vezes, sente-se um chato que muda o ritmo da paróquia, os esquemas da catequese e perturbar as crianças da escola com rostos coloridos e imagens da fome e da pobreza. Nós acreditamos que este é um belo serviço à igreja e ao país: ajudar crianças e adultos a sair do seu casulo, ver o mundo com outros olhos, descobrir a generosidade e a alegria da abertura ao Outro para colorir com felicidade as suas vidas cinzentas.


P. Jerónimo Nunes, Missionário da Boa Nova

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Jornadas Missionárias: Conclusões

JORNADAS MISSIONÁRIAS 2009
conclusões

Iluminados e iluminadas pelo Congresso Missionário Nacional e por todas as realizações do Ano Paulino, reuniram-se em Fátima, nos dias 18 a 20 Setembro, 450 pessoas oriundas de quase todas as dioceses, institutos missionários e movimentos de Portugal, para celebrar as Jornadas Missionárias e estudar «São Paulo e a paixão pela missão». Ai de mim se não evangelizar.

O maior missionário de todos os tempos, Paulo de Cristo, convida a deixarmo-nos conquistar pelo Ressuscitado e a viver a paixão de anunciar o Evangelho, com entusiasmo mas também com espírito de sofrimento. Paulo adoptou uma metodologia paternal-maternal, personalizada e afectiva na sua acção missionária a tempo inteiro, criou uma rede de bons cooperadores para chegar ao maior número possível de pessoas que andavam à procura de uma resposta aos seus anseios mais profundos, e deu prioridade às cidades.

Numa época como a nossa, caracterizada como pós-cristã, a Igreja é chamada a evangelizar e a criar espaços de relações comunitárias, remédio para o individualismo, e onde se ritualiza e sacraliza a vida do dia-a-dia. O cristão não deve temer a manifestação pública da sua fé num ambiente de laicismo militante.

A missão de hoje passa pelo diálogo com quatro interlocutores: as pessoas que não pertencem a nenhuma comunidade crente e as que buscam a fé, os pobres e os marginalizados, as pessoas de outras culturas, e os membros de outras tradições religiosas e de ideologias seculares. Já começou a desenhar-se um novo rosto da missão, diferente do passado tipicamente europeu e clerical. Este novo rosto assume três características predominantes: laical, feminino e multicultural.

Por isso, nós participantes nestas Jornadas Missionárias decidimos:

1. Agradecer à Comissão Episcopal das Missões o empenho com que está a preparar o documento sobre a missão pedido pelo Congresso Missionário de 2008;
2. Apoiar a criação do Observatório da Missão como instância que acompanha tudo o que diz respeito à realidade da missão;
3. Pedir às Dioceses, Paróquias e Movimentos que intensifiquem a vivência do “Outubro Missionário”, aproveitem mais o “Curso de Missiologia” organizado pelos IMAG para a formação de evangelizadores e promovam semanas missionárias para o crescimento da consciência de todo o Povo de Deus;
4. A “Missão 2010” e o Congresso Missionário da Diocese do Porto são exemplos a seguir para um maior compromisso evangelizador;
5. Destacar as numerosas iniciativas de convocação, acompanhamento e envio de leigos, sobretudo jovens, para os ambientes pobres e ao encontro de outras culturas, como meio de promover a missão e o compromisso dos jovens com um mundo de fraternidade e paz;
6. Exortar as famílias, paróquias e dioceses a apoiar as vocações missionárias de leigos, padres, religiosos(as). Missão é dar-se: partir, permanecer e pertencer. Mesmo onde faltam ministros, “a missão ad gentes deve ser a prioridade dos planos pastorais” (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2009, n. 4);

As próximas Jornadas Missionárias acontecerão aqui em Fátima nos dias 17, 18 e 19 de Setembro de 2010.

Fátima, 20 de Setembro de 2009
Os participantes




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As Zonas ANIMAG em acção

A zona 2 do ANIMAG, reuniu-se no início de mais um ano de actividades, no dia 15 de Setembro 2009, na casa dos Missionários do Espírito Santo, na Rua do Pinheiro Manso, Porto. Estiveram presentes quase todos os membros da zona. O Padre Almiro, presidente da Comissão de Missões da diocese do Porto esteve connosco.

Os assuntos tratados foram: o Ano da Missão 2010 na diocese do Porto e a participação dos ANIMAG, e as Semanas missionárias que se irão realizar na região. O Padre Almiro apresentou-nos o calendário Diocesano para a missão 2010 e sublinhou que a diocese espera a participação do ANIMAG no mês de Outubro. Entre as actividades levadas a realizar no mês de Outubro estão: A Tenda do Encontro/Embarca na Missão/Cristo na cidade e um Congresso Missionário diocesano (23-24 /10)

Na zona realizar-se-á uma semana missionária na diocese de Aveiro no Arciprestado de Estarreja/Avanca de 20 – 28 de Fevereiro. Oportunamente daremos mais informações sobre esta actividade conjunta do ANIMAG.

sábado, 5 de setembro de 2009

Já te inscreveste para as Jornadas Missionárias Nacionais 2009?

Aproximam-se as Jornadas Missionárias Nacionais que se realizarão, de 18 a 20 de Setembro de 2009, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.
Tema: “S. Paulo e a paixão pela Missão”.

A organização é da responsabilidade da Comissão Episcopal de Missões, das Obras Missionárias Pontifícias e da CIRP, através do IMAG (Institutos Missionários Ad Gentes).

As inscrições terminam já no próximo dia 8 de Setembro.

Podes consultar o folheto/ PDF que encontras na coluna da esquerda deste blog, para download. Mas, entrando AQUI encontras o programa, horários, e como fazer a inscrição.

Não percas tempo!
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

P. Adélio Torres Neiva nomeado Membro Honorário da Academia Portuguesa de História

O P. Adélio Torres Neiva, Missionário do Espírito Santo, foi nomeado Membro Honorário da Academia Portuguesa de História. Nascido em S. Paio de Antas (Esposende) em 1932, foi ordenado Padre em 1956. Formado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1961), o P. Torres Neiva dedicou a sua vida à Missão e à Cultura. É autor de vários livros, sendo o mais notável a ‘História da Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo’ (2003). Dirige as revistas ‘Vida Consagrada’ e ‘Missão Espiritana’, tendo sido o director, durante vários anos, das revistas ‘Portugal em África’ e ‘Encontro’. Tem muitas entradas em diversas Enciclopédias e obras colectivas, como é o caso da História Religiosa de Portugal, dirigida por Carlos Moreira Azevedo e editada pelo Círculo de Leitores. Foi Professor Universitário, proferiu, muitas dezenas de Conferências e participou em vários Congressos e Colóquios em Portugal e no estrangeiro. Foi, durante doze anos, Conselheiro Geral dos Espiritanos, em Roma (1974-86).

A Congregação do Espírito Santo sente-se honrada por esta nomeação e felicita este seu membro, agradecendo-lhe o trabalho extraordinário que fez e continua a fazer pela Missão e pela Cultura.

Tony Neves
Porta-Voz dos Espiritanos
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Curso de Missiologia celebrou universalidade da Missão


O Curso de Missiologia 2009 que decorreu na Consolata, em Fátima, entre os dias 24 a 29 de Agosto último foi do agrado de todos os participantes. Esta é a conclusão a que se chega depois de lidas as avaliações dos participantes.

O curso, que tem um rosto e uma expressão cada vez mais internacional e multicultural, parece ter correspondido às expectativas dos participantes. Professores, temas, conteúdos, metodologia, workshops, debates, convívio, oração, partilha, espírito de família e organização foram alguns dos aspectos ressaltados pelos participantes.

Um dos aspectos menos conseguidos, apontado por alguns é o facto do curso ainda não poder contar com um número mais ou menos significativo de sacerdotes. Dos mais de 60 inscritos havia apenas dois padres, ambos religiosos. A explicação é simples: se a dimensão missionária é uma das dimensões básicas da Igreja, a par da liturgia, por exemplo, não pode continuar a ser entendida como um exclusivo dos Institutos Missionários Ad Gentes e, portanto, têm todo o sentido a presença de padres diocesanos.

Uma tendência que se nota claramente, de ano para ano, é a internacionalização e a multiculturalidade das presenças. Os Institutos têm cada vez mais presenças dos países do sul e isso reflecte-se nas inscrições e, consequentemente, na dinâmica do Curso. A maioria encontra-se a trabalhar ou a estudar em Portugal, como é o caso dos dez seminaristas espiritanos e dois da Consolata inscritos.

Os participantes, finalistas ou não, preparam-se para partir, comprometidos com a tarefa missionária de levar Jesus e o seu Evangelho aos quatro cantos da Terra. Alguns deles já se encontram na Missão e aproveitaram o período das férias para fazer o Curso.

O CM2009 procurou fazer uma aposta forte na sua divulgação e, para tal, abriu um blogue a fim de dar mais visibilidade ao mesmo, onde podemos encontrar textos, fotos e vídeos. Abriu também um canal de vídeos no Youtube. Entre outros, vale a pena ver os vídeos do convívio final. Destacamos a dança indiana ou mesmo um cântico que uniu na mesma música timorenses e indonésios. Uma bela maneira de juntar, no aniversário dos 10 anos de Timor, aqueles que um dia foram adversários.

O Curso de Missiologia quebra fronteiras, junta corações e vontades. É o banquete do Reino na universalidade do evangelho.

Albino Brás