domingo, 10 de abril de 2011

«Quem vem a mim ainda que tenha morrido viverá, e quem está vivo viverá eternamente»




Queridos irmãos
Que bom reunirmo-nos novamente para ouvir a Palavra de Jesus neste quinto Domingo da quaresma. Desta feita Jesus convida-nos a entrar em casa, no seio familiar dos seus amigos de Betânia, os três irmãos: Maria, Marta e Lázaro. Esta família encontrava-se num momento de grande sofrimento causado pela doença e morte de Lázaro.

Acompanhemos esta família, sintamo-nos parte, neste caminho de descoberta da vida. Num primeiro momento Marta e Maria mandam avisar Jesus de que o seu irmão se encontra doente. Segundo S. João, Jesus terá tido conhecimento da doença de Lázaro pelas seguintes palavras: Aquele que amas está doente, o teu amigo está doente. Isto demonstra desde logo que uma relação de grande intimidade ligava Jesus a este homem.


Jesus percebe que esta pessoa está a morrer, mas confia e diz que “esta situação não é para a morte, mas sim para glória de Deus”, para a vida. Esta atitude de Jesus demonstra confiança, por isso Ele espera o momento certo para ir ao encontro de Marta e Maria. É precisamente a proximidade e o amor para com aquela família e, com toda a comunidade dos crentes, que leva Cristo a permanecer mais dois dias no local onde se encontrava. Ele já estava, e está a dar a vida, mas as irmãs de Betânia, como nós, precisavam de tempo para aprender a viver a situação de morte, e para receber e compreender o Seu amor que tudo vence. Necessita-se de tempo para reconciliar a ausência física de um ser querido, e o sofrimento provocado por uma doença. Jesus está aí, sofre connosco, vive connosco. Ele tem para nós um horizonte de amor eterno. Aí, exactamente aí, Jesus toca e transforma. Esta é uma grande oportunidade para sermos cada vez mais de Jesus.

Diante de tantas situações de dor e de morte física, e de outras mortes: a injustiça, a incompreensão, a opressão, o egoísmo e relativismo, podemos perguntar: estas afastam-nos de Jesus? Afastar-se-á Ele destas realidades humanas? Não o afectará o sofrimento humano!

Jesus faz com todos nós um caminho de ressurreição. Ele é quem mais sofre. Ele caminha ao encontro de cada um com uma presença discreta. Jesus conhece o sofrimento daquela e de tantas famílias e pessoas, e por isso, oferece sempre o seu coração como terra firme. No entanto, quando Jesus vai a Betânia Marta, sua amiga, sai-lhe ao encontro e diz-lhe: “se estivesses aqui o meu irmão não teria morrido”. Esta mulher pedia muito pouco diante da vida eterna que Jesus desejava dar-lhe. O diálogo entre o Senhor e esta sua amiga vai-se desenrolando lentamente. Jesus diz-lhe: “o teu irmão ressuscitará”. Ela não entende e, Ele explica-lhe. Na verdade, Cristo responde aos anseios do seu coração quando afirma: «Eu sou a ressurreição e a VIDA QUEM VEM A MIM, AINDA QUE TENHA MORRIDO, VIVERÁ E, QUEM ESTÁ VIVO VIVERÁ ETERNAMENTE.»

De seguida Marta fará a sua profissão de fé. Finda a conversa Marta corre a chamar Maria que prontamente acorre. Ao falar com esta última, Jesus chora em família, com a família e pela família. Abraça-a profundamente no desejo de entregar-se totalmente. Então, Lázaro sai do túmulo. Marta e Maria que sempre haviam oferecido a Jesus a sua casa para que nela ficasse, começaram a compreender que a SUA VERDADEIRA CASA, o seu verdadeiro lar, era aquele homem que: acolhia, compreendia, chorava e que se unia sempre às suas vidas, transformando-as e pacificando-as. Pela fé também elas aceitaram este desafio da comunhão. Esta comunhão não só devolveu a vida a Lazaro, mas continuou e continuará a dar vida a muitos. Nós por vezes caímos no desânimo, no desespero, centramo-nos na impotência, na aparente ausência de razão, deixamos que a Sua presença seja ofuscada. Apesar disso, Ele mantêm-se perto, muito perto, sustenta sem que O vejamos as circunstâncias em que pela dor pensamos estar sós. Ele espera que descubramos no Seu olhar uma vida maior.

Jesus, Tu procuras a cada instante dar-nos vida, queres fazer do nosso coração esse espaço de intimidade em que nos deixemos amar por ti como irmãos que se sabem necessitados da Tua misericórdia.

Nesta atitude voltas a perguntar-nos: acreditas que podes renascer, acreditas na força do Meu amor por cada homem? Acreditas que não Me afasto nunca da tua família, do teu trabalho, dos teus amigos, nem sequer nos momentos de dificuldade, nos momentos de separação, nos momentos onde falta a vida?

Jesus, Tu desejas partilhar connosco toda a Tua vida, fazer de nós teus verdadeiros irmãos. Irmãos que, conhecendo o amor e a bondade do Pai, estejam dispostos a entregar-se, a morrer para si mesmos, para a vontade própria, a dar-Te tudo o que são e têm para que Tu o transformes em vida.

Ajuda-nos a permanecer em TI, na Tua entrega para sermos instrumentos, que na realidade quotidiana, dêem a conhecer a força que emana de um amor ilimitado e eterno.


Segunda-feira (Jo 8, 1-11)

Senhor quando nos deparamos com as nossas fragilidades e com as fragilidades de outras pessoas contamos com teu olhar. Dá-nos um coração capaz de reconhecer-se pobre, necessitado da Tua misericórdia, um coração que nos aproxime dos outros que os ame e os compreenda, que descubra a vida para além das circunstâncias de pecado e de morte.

Terça-feira (Jo 8, 21-30)

Obrigada Jesus porque nunca desistes de dizer-nos quem és, por revelares sempre a Tua entrega total pela humanidade. Dá-nos um coração que a cada novo dia, possa maravilhar-se com a Tua presença amorosa, um coração atento ao amor trinitário. Senhor, pedimos-Te a graça de aprender a amar como Tu.

Quarta-feira (Jo 8, 31-42)

Senhor, temos um coração que facilmente se deixa seduzir pela imagem, pelo sucesso individual e desmesurado, pela crítica e pelo comentário negativo acerca dos irmãos. Ajuda-nos a olhar a nossa verdade, a deixar chegar cada vez mais longe a Tua luz nas nossas vidas, a viver na dignidade de filhos, no filho a alegria de ser quem somos.

Quinta-feira (Jo 8, 51-59)

Colocamos ante Ti, Senhor, todas as realidades que vivemos ou vamos viver neste dia. Tu podes transformar o ódio em amor, a tristeza em alegria, a ofensa em perdão, a dúvida em fé. Tu que preparas o mais adequado para cada situação, permite que acreditemos para sermos verdadeiros instrumentos de vida.

Sexta-feira (Jo 11, 42-57) Senhor, que possamos acreditar em Ti. Dá-nos um coração crente para que a Tua Palavra e a Tua pessoa nos cative. Pedimos-Te que nos ajudes a não cair da dúvida, nem na desconfiança.

Sábado (Jo 11, 45-57) Senhor, houve muitas pessoas contemporâneas a Ti que não acreditaram nos sinais que viram. O Evangelho fala-nos nisto: o sinal que fizeste foi a ressurreição de Lázaro e por este facto procuravam tirar-Te a vida porque fostes para eles ameaça. Senhor, pedimos-Te que perante os sinais, perante a vida e o amor, a fé e o que recebemos da Tua graça, possamos acreditar em Ti.

Comunidade Missionária Servidores do Evangelho (Coimbra)

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